Para manter Cursor, Kiro, Codex e outros agentes alinhados, trate a documentação estruturada do repositório como fonte de verdade, use um AGENTS.md curto como mapa e acrescente arquivos nativos quando uma ferramenta precisar de regras específicas. Essa arquitetura compartilha conhecimento sem presumir que os mecanismos de cada produto sejam equivalentes.
O que significa ter uma fonte de verdade para agentes
Harness engineering é a organização do ambiente que orienta agentes de programação: instruções, documentação, convenções e outros recursos que ajudam a ferramenta a trabalhar dentro do contexto do projeto. Em uma equipe que usa vários agentes, a fonte de verdade não precisa ser um único arquivo. O conhecimento detalhado pode ficar em documentação versionada e organizada; arquivos de instrução menores apontam para ela e adaptam sua apresentação a cada ferramenta.
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A OpenAI descreve AGENTS.md como um sumário, não como uma enciclopédia, e apresenta um arquivo de aproximadamente 100 linhas como exemplo de mapa para fontes mais completas. Esse número é uma prática ilustrativa, não um limite recomendado para todos os repositórios. OpenAI: Harness engineering.
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Como estruturar o contexto compartilhado
1. Guarde explicações duráveis em documentação organizada
Coloque em docs/ as decisões e explicações que a equipe precisa manter ao longo do tempo: arquitetura, convenções de código, fluxos de trabalho, testes e critérios de aceitação. Separe os assuntos em documentos legíveis e indique quem é responsável por mantê-los. Isso evita que um arquivo de instruções se torne uma cópia extensa e difícil de atualizar do conhecimento do projeto.
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2. Use AGENTS.md como índice de entrada
Mantenha o arquivo curto e prático. Explique o que o agente deve consultar, aponte para os documentos pertinentes e inclua instruções essenciais que precisam ser vistas logo no início. Por exemplo, ele pode direcionar uma mudança de API para a documentação de arquitetura e para as instruções de testes relevantes. Evite copiar o conteúdo inteiro desses documentos: duplicação aumenta o risco de versões divergentes e pode consumir contexto sem acrescentar orientação.
3. Acrescente adaptadores nativos quando houver motivo
Use arquivos próprios do Cursor ou do Kiro para comportamentos, escopos e modos de inclusão que não se expressem bem em uma instrução portátil. O conteúdo canônico continua na documentação compartilhada; o adaptador explica como aplicá-lo naquela ferramenta. Desse modo, uma regra específica não precisa ser apresentada como se fosse universal a todos os agentes.
Onde ficam as instruções em cada ferramenta
| Ferramenta | Arquivos e localização | Escopo e formato | AGENTS.md e ressalvas |
|---|---|---|---|
| Cursor | .cursor/rules/ no projeto; também há suporte a AGENTS.md na raiz documentado para o CLI. |
Regras de projeto em arquivos MDC podem ser sempre ativas, aplicadas por glob, invocadas sob solicitação do agente ou acionadas manualmente. | A documentação do CLI descreve leitura de AGENTS.md e CLAUDE.md na raiz junto com .cursor/rules. O suporte e o escopo podem variar conforme a superfície e a versão. .cursorrules é legado e depreciado. |
| Kiro | .kiro/steering/ no projeto; a documentação também descreve steering global e configuração local de confiança. |
Arquivos Markdown de steering oferecem conhecimento persistente do projeto e podem usar modos de inclusão próprios do Kiro. | Kiro documenta o carregamento de AGENTS.md da raiz e de subdiretórios. A configuração de projeto em .kiro/ acompanha o repositório entre as superfícies Kiro descritas; permissões de confiança permanecem locais. |
| Codex | AGENTS.md pode servir como mapa para documentação estruturada do repositório. |
A orientação de harness engineering da OpenAI propõe separar o índice curto do conhecimento detalhado mantido em outras fontes. | A fonte citada orienta a organização do contexto; não estabelece equivalência entre os mecanismos de Codex e os arquivos nativos de Cursor ou Kiro. |
Fontes: Cursor Rules, Cursor Agent CLI, Kiro Steering, How Kiro works e OpenAI Harness engineering.
Como interpretar as diferenças sem criar falsas equivalências
Cursor: regras com escopo e modos distintos
As regras MDC permitem organizar orientações por finalidade e definir quando se aplicam. Isso é diferente de tratar todo o conteúdo como um conjunto uniforme de instruções globais. A documentação do Cursor alerta que .cursorrules é legado; para regras de projeto, aponta para .cursor/rules. Como a documentação de regras e a do CLI descrevem capacidades e escopos diferentes, confirme o comportamento na superfície e na versão que a equipe usa, sobretudo se depender de regras em subdiretórios ou de seleção automática. Cursor Rules; Using Agent in CLI.
Kiro: steering, AGENTS.md e confiança são camadas diferentes
Steering em .kiro/steering/ é a via nativa para conhecimento persistente e modos de inclusão específicos do Kiro. A documentação também afirma que Kiro carrega AGENTS.md da raiz e de subdiretórios, oferecendo outra maneira de descobrir instruções do projeto. Já as permissões de confiança do workspace não são instruções versionadas: ficam fora do repositório. Kiro Steering; How Kiro works.
Codex: mapa curto, conhecimento fora do índice
O artigo da OpenAI sobre harness engineering apresenta AGENTS.md como índice para materiais mais profundos e estruturados. É uma orientação de organização útil para evitar concentrar todo o contexto em um único arquivo; não implica que Codex, Cursor e Kiro interpretem metadados, hierarquia ou regras da mesma forma. OpenAI: Harness engineering.
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Um fluxo de adoção para equipes com vários agentes
- Mapeie o que o agente precisa saber. Separe decisões duráveis, convenções, comandos de validação e regras que se aplicam apenas a determinados caminhos.
- Organize o conhecimento compartilhado. Coloque explicações completas em documentação versionada, por exemplo em
docs/, com títulos claros e responsáveis pela manutenção. - Escreva um índice conciso. Faça o
AGENTS.mdapontar para os documentos corretos e incluir apenas as orientações gerais necessárias para começar. - Configure cada ferramenta para suas necessidades próprias. No Cursor, avalie regras MDC em
.cursor/rules/; no Kiro, steering em.kiro/steering/. Mantenha nesses locais a lógica de escopo ou inclusão que depende do produto. - Valide com a versão e a superfície usadas pela equipe. Verifique quais arquivos são descobertos, quando as regras se aplicam e se instruções de raiz e subdiretórios são lidas. Não deduza suporte de uma interface a partir da documentação de outra.
- Revise a consistência quando algo mudar. Atualize a documentação canônica primeiro e depois confira se o índice e os adaptadores ainda apontam para a regra vigente.
Instruções não são controles de segurança
Um arquivo versionado pode orientar o agente, mas não deve ser tratado como mecanismo suficiente para conceder permissões ou garantir a segurança de uma operação. A documentação do Kiro separa a configuração de confiança do workspace dos arquivos do projeto; assim, clonar um repositório não concede confiança por si só. Mantenha as decisões de confiança e permissões no mecanismo local apropriado e revise-as independentemente das instruções textuais. How Kiro works.
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O que esperar — e o que não presumir
Uma arquitetura comum torna mais fácil manter convenções coerentes e localizar o conhecimento do projeto, mas não prova que os agentes produzirão resultados iguais. Modos de inclusão, hierarquia, metadados, descoberta de arquivos e permissões são mecanismos de cada produto; não há base para afirmar que migram sem alterações entre ferramentas. O objetivo é compartilhar a finalidade e a fonte do conhecimento, deixando explícito o que é portátil e o que é adaptador.
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